Super Divertida Mente

Foto: balde de pipoca decorativo do filme Super Divertida Mente
Foto: balde de pipoca decorativo do filme Super Divertida Mente

O longa metragem de animação “Divertida Mente” é mais um golaço da Pixar. O filme explica o funcionamento da mente humana e a lógica das nossas emoções de maneira didática e conceitualmente correta, esteticamente sensível e delicada, divertida e ao mesmo tempo emocionante. Na minha opinião, imprescindível para todos, sobretudo pais e crianças, líderes e suas equipes.

As crianças têm dificuldade de entender e lidar com suas polaridades emocionais que vivenciam todo santo dia. Oscilam, de uma hora para outra, entre extremos de alegria e tristeza, coragem e medo, generosidade e preconceito, doçura e agressividade. Como explicar para elas que a vida é assim mesmo, pura tensão? Faltava para nós, pais, uma boa história que nos permitisse explicar, de forma clara e acessível, por metáforas e símbolos, os protagonistas e processos que fomentam nossos pensamentos e emoções, provocando este mosaico de sentimentos que definem a nossa complexidade humana.

Na vida corporativa, o desafio não é muito diferente. Sabemos, por exemplo, que a evolução de um bom líder depende de autoconhecimento apurado. Medimos a Inteligência Emocional e Social de um líder por sua capacidade de lapidar suas emoções para não afetarem a qualidade do processo decisório. Da mesma forma, ao entender como se processa a lógica das emoções e do pensamento, pode adicionar a capacidade de interpretar melhor as oscilações de humor e entusiasmo das pessoas de sua equipe. Mas também, é igualmente importante sua equipe tomar consciência dessas dinâmicas, para construírem juntos um ambiente de trabalho mais humano, mais justo e maduro.

“Divertida Mente” proporciona uma linguagem e um conjunto de referências que nos ajuda a compreender as manifestações emocionais difíceis de explicar e, assim, aprimorar o discernimento e o diálogo.

Dirigido por Peter Docter, “Divertida Mente” (“Inside Out”) conta uma passagem marcante na vida de Riley, uma garota comum de apenas 11 anos de idade. Filha única, vê-se obrigada a mudar com seus pais de Minnesota para São Francisco. Nada de fantástico ou fora do usual acontece: ela entra numa nova escola, tenta entrar no time de hóquei que era seu esporte favorito, mas morre de saudades de sua casa. Simples assim. Sem super heróis, robôs ou tecnologias revolucionárias. Vida que segue todos os dias.

O espetáculo acontece na mente de Riley e de seus pais, onde sentimentos primários influenciam cada movimento. Cinco personagens pilotam a mente: Alegria, meiga e sempre otimista que procura dominar a torre de controle; Raiva, que parece uma esponja de sangue facilmente irritável; Medo, que vive se desesperando; Nojentinha, que vive enxergando defeito em tudo e todos; e por fim a Tristeza, uma fofa que vê problema em tudo e faz drama diante de qualquer fato da vida. Embora vivam em conflito e disputa para liderar os impulsos de mobilização da Riley, unem forças quase sempre para reagirem aos movimentos do mundo.

Nós simplesmente somos assim… um caldo de sentimentos que, embora ajam de maneira contraditória e antagônica, ao mesmo tempo se unem para provocar percepções únicas. Prova simples disso é a vontade que temos de chorar no final feliz de um filme, embalados por uma trilha sonora clássica em violoncelo. Claro que a cena mereceria somente alegria. Mas aquela mistura de felicidade e tristeza nos torna tão profundos de repente, que somos capazes de apreciar cada gesto da cena. Esses cinco personagens da nossa mente operam de forma individual e conjunta assim como tintas em uma paleta de cores. Ao pintar um quadro, em alguns momentos queremos apenas o vermelho ou o amarelo. Em outros, precisamos misturar ambas para ter o laranja. Assim é a vida. Em alguns momentos, queremos e precisamos seguir dirigidos pela felicidade, pelo desejo de sermos dominados pela alegria. Em outros, precisamos de um pouco de tristeza misturada com alegria para vivermos ainda mais intensamente um instante sublime da vida.

Normalmente, negamos e até mesmo lutamos contra essa tristeza (a fofa chata do filme). E fazemos o mesmo por nossos filhos e pessoas queridas. Mas em alguns momentos é o contato com a tristeza que torna possível transformarmos a nós mesmos e às situações difíceis em que por vezes nos encontramos. O mesmo acontece com a raiva. Se bem canalizada e tratada, transforma-se na agressividade positiva que tanto precisamos para empreender, para romper paradigmas, para realizar mudanças e conquistar nossos sonhos. Descontrolada, transforma-se em violência – mas são “raivas” diferentes.

O filme segue explicando por metáforas como se processa a memória. “Divertida Mente” demonstra que os aprendizados que fincam raízes são aqueles fruto da experiência somada às emoções atreladas a ela. E assim vamos colecionando nossas memórias, que estruturam ilhas da nossa personalidade.

Não deixe de vivenciar com a turma da Pixar como funciona a montanha russa das nossas emoções; como se criam nossos pensamentos mais abstratos; nossos sonhos de madrugada; nossas desilusões e sofrimentos; nossas repulsas que por vezes nos protegem, mas também nos afastam de pessoas e situações tão interessantes; dentre outros. O autoconhecimento, que “Divertida Mente” nos traz é chave para lidarmos melhor com nossas tensões e dilemas, para ajudar nossos filhos a lidarem melhor com as dores do crescimento, e para promover um ambiente corporativo mais humano e saudável para todos nós. Prepare-se para se divertir… E também para se emocionar com o filme!


Compartilhe: