O Imperativo da Justiça Climática

Executivos de Marketing têm defendido, nos últimos anos, que os consumidores vão progressivamente rejeitar as marcas que não estejam agindo de fato para contribuir na redução do distúrbio climático do planeta. No entanto, pouco tem se falado sobre a mobilização dos próprios Funcionários das empresas, que não vão mais esperar que os consumidores tomem atitudes relevantes. Jovens talentos das Gerações Y e Z têm buscado empresas que adicionem significado às suas vidas, ao se comprometerem com um propósito maior que ganhar dinheiro, e que tomam atitudes corajosas para mitigar o impacto social e ambiental de suas operações.

Exemplo impressionante do ativismo climático dentro das organizações foi o que funcionários da Amazon fizeram no dia 10 de abril. Em manifestação na porta de uma reunião do Conselho, entregaram uma carta assinada por 7.683 colaboradores para o Fundador-CEO Jeff Bezos e seu Board. Na abertura, afirmavam que a “Amazon tem recursos e escala para ativar a imaginação do mundo e redefinir o que é possível e necessário para encaminhar a crise climática. Acreditamos que esta é uma oportunidade histórica para a Amazon se posicionar, junto com seus funcionários, para sinalizar ao mundo que estamos prontos para sermos líderes do clima – uma ameaça existencial”.

No final, encerram a carta com uma provocação: “Em nossa missão de nos tornarmos a empresa mais customer-centric da Terra, acreditamos que o nosso impacto no clima deve ser uma consideração prioritária em tudo o que fazemos. Temos o poder de mudar indústrias inteiras, inspirar a ação global sobre o clima, e liderar sobre esse tema estratégico para as nossas vidas. Pedimos a vocês, como líderes e responsáveis pela nossa direção estratégica, que adotem o plano de resolução do clima e lancem um plano corporativo amplo, que incorporem os 6 princípios acima”. Note o ponto de vista: ser centralizado no cliente não é apenas desenhar produtos e serviços que atendam as necessidades de conveniência de consumo, mas também centralizar as práticas empresariais nas necessidades e aflições mais amplas da vida contemporânea – como mitigar os evidentes sinais traumáticos de colapso do clima no planeta. Este é o cumprimento pleno do compromisso por trás do conceito de Propósito Maior (Higher Purpose), uma tendência inexorável dos defensores de um Capitalismo mais consciente.

No papel de Consultores, temos de ajudar a conscientizar Empresários e Executivos deste chamamento da sociedade contemporânea. O cerco está se fechando… Há 18 anos, lembro-me do posicionamento da Luzio Strategy nas empresas, em que fomos pioneiros no Brasil a inserir o fator humano no centro do processo de Planejamento Estratégico – e as organizações achavam aquilo estranho. Era uma exigência da Luzio a realização de uma Pesquisa de Clima Organizacional na fase inicial de diagnóstico, antes de iniciarmos a reflexão estratégica. Nossa intenção era, por meio dos focus groups, compreender o que as pessoas que realizavam a operação pensavam de verdade da empresa, de seus produtos e serviços, das suas fontes de singularidade, e dos pilares de sua ideologia.

Agora, as empresas que não acordarem para considerar os impactos sociais e ambientais de suas operações no modelo de negócios e no plano de crescimento, vão ter de enfrentar a ira – e a perda – dos seus melhores talentos!

Carta Íntegra


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